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O desenvolvimento, nas últimas décadas, das redes de
comunicação digital e a sua utilização em todas as actividades
dos indivíduos e dos grupos sociais criaram condições de
comunicação sem paralelo na História da Humanidade e,
consequentemente, de partilha de informação e de conhecimento.
A sociedade em rede, como vem
sendo designada a nova forma de organização social baseada nas
redes de comunicação digital,
não garante o usufruto, contudo,
por todos os membros da comunidade, da informação e do
conhecimento veiculado por essas redes.
Para maximizar os benefícios
sociais e económicos da sociedade em rede, é essencial
formular e implementar políticas que, para além do acesso aos
meios tecnológicos, optimizem a criação, o fluxo e a
utilização de ideias e de informação. As bibliotecas, os
arquivos e, em geral, os serviços de informação, enquanto
agentes activos na cadeia da informação e infra-estruturas
fundamentais para o desenvolvimento integral dos cidadãos e
para as actividades de organizações públicas e privadas,
constituem parte integrante de políticas de informação
abrangentes e articuladas, nas quais devem ocupar um lugar
central.
Com o tema “Políticas de
Informação na Sociedade em Rede”, o 10.º Congresso Nacional de
Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas constitui um
fórum privilegiado de reflexão e debate sobre a nova geração
de políticas de informação que, no início do século XXI,
deverão ser definidas e postas em prática com o duplo
objectivo de desenvolver recursos, serviços e sistemas de
informação que sirvam toda a comunidade nacional e dotar os
cidadãos portugueses com competências acrescidas de literacia
da informação.
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Subtema 1 |
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Informação e Sociedade: Identidade, Cidadania, Coesão
Económica e Social |
O conhecimento sobre as raízes e a história de um povo
ou de uma comunidade está entre os seus mais fortes
elementos identitários.
Língua, cultura, tradições, mas também o registo e a
memória das actividades de instituições e pessoas
plasmam os sentimentos de pertença e de comunidade num
mundo globalizado, que requer uma crescente
participação cívica dos cidadãos.
A
informação, o conhecimento e a educação, partilhados e
disponíveis em rede(s), são requisitos fundamentais
para essa participação, capaz de reclamar direitos e
de reconhecer deveres num contexto de crescente
desigualdade. São ainda garantes dos direitos de
cidadania e agentes no combate aos diversos obstáculos
à coesão social: situação socioeconómica, diferenças
culturais, educacionais e étnicas, e localização
geográfica, entre outros.
Que políticas e programas podem definir e desenvolver
os serviços de informação (bibliotecas, arquivos,
centros de documentação…) para estes fins? Que
evidências existem do que já está a ser feito? Que
instrumentos têm ao seu dispor? Que princípios
organizativos e técnicos devem seguir? Que recursos
são indispensáveis? Como é que a evolução tecnológica
influencia estes papéis?
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Subtema
2 |
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Políticas e Enquadramento Legal |
A Sociedade em Rede configura uma nova forma de
organização social e produtiva que coloca novos
problemas, exige dimensões inovadoras das políticas
públicas e, consequentemente, a criação de normativos
legais que lhes sirvam de suporte. Nesta Sociedade, a
informação constitui um recurso essencial para todas
as actividades humanas e, nessa medida, as políticas
públicas e o correspondente enquadramento legal devem
garantir a liberdade de informação enquanto direito
fundamental de todos os cidadãos na sua dupla vertente
de liberdade de expressão e liberdade de acesso à
informação.
Os sistemas de biblioteca e de arquivo e os serviços
de informação, em geral, constituem componentes
essenciais da infra-estrutura informacional, cultural
e educacional da Sociedade em Rede e garantem o
exercício do direito individual de acesso à
informação, pelo que reclamam, para o desempenho
eficaz das respectivas funções, um quadro legal
específico, coerente e articulado, que deve ser
acompanhado dos meios suficientes para garantir a sua
implementação.
Que políticas se exigem para colmatar as lacunas e
incoerências da legislação existente no domínio da
informação, com vista à construção de um novo quadro
de intervenção? Que acções se devem desenvolver para
um alinhamento com as recomendações dos principais
organismos internacionais, em particular do Conselho
da Europa? De que modo devem os diferentes
stakeholders e, em particular, os profissionais da
informação ser chamados a participar activamente?
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Subtema 3 |
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Infra-estruturas: Integração, Desenvolvimento, Coordenação
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Em Portugal, apesar dos importantes avanços registados
nas últimas décadas e dos avultados investimentos já
realizados na criação e/ou modernização de
infra-estruturas de gestão e difusão da informação
(bibliotecas públicas, universitárias e escolares,
arquivos distritais e municipais), continuamos a
registar algum atraso, qualitativo e quantitativo,
comparativamente à generalidade dos países europeus.
Este quadro é agravado pela deficiência, ou
inexistência, de coordenação, cooperação e integração
entre essas infra-estruturas.
Neste contexto, o campo para a análise, a reflexão, o
debate e a proposta de caminhos e soluções está aberto
e pode ser fértil.
Que boas práticas e casos exemplares existem no
domínio das infra-estruturas e da sua integração e que
exemplos relevantes surgiram nos últimos anos, a nível
nacional e internacional? Como promover a cooperação,
a partilha de recursos e o desenvolvimento das
infra-estruturas já existentes? Que novos tipos de
infra-estruturas (equipamentos e outros recursos
físicos, infra-estruturas e serviços digitais)
necessitamos para o futuro e como se devem relacionar?
Que novos tipos de integração e de redes necessitamos,
para além das “tradicionais” redes por tipo de
instituição: redes por tipo de informação e público
(informação cultural, governamental, etc.), redes de
base geográfica (local, regional)? Como garantir o
adequado funcionamento e desenvolvimento das
infra-estruturas e assegurar a sua sustentabilidade?
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Subtema 4 |
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Conteúdos: gestão, acessibilidade, utilização
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Numa sociedade que prima pelo aumento exponencial de
conteúdos e da sua disponibilização maciça, urge
conhecer e encontrar os meios gestionários que
permitam garantir a acessibilidade e a utilização sem
reservas dessa informação, desde que para fins
consentâneos com o respeito pelos direitos
salvaguardados legalmente, e a preservação da
evidência e memória colectiva.
As práticas de gestão de conteúdos variam com o fim
para que foram criados; porém, a experiência mostra
que cada vez mais é necessária a utilização de normas
e a partilha de boas práticas para uma ampla e fácil
acessibilidade e uma utilização justa dos conteúdos.
Cientes das diversas tipologias de conteúdos
existentes e da qualidade de que os mesmos se
revestem, importará questionar: que princípios
organizativos e metodologias se vão praticando e quais
os que poderão ser desenvolvidos para optimizar a
gestão da informação e a sua utilização? Há
experiências inovadoras e de boas práticas que seja
importante conhecer? Permitem uma gestão de qualidade
orientada para os utilizadores internos e externos das
organizações? Que acessibilidades garantem? Que
utilizações proporcionam?
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Subtema 5 |
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Competências: Literacia da Informação, Formação de
Especialistas
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Na denominada Sociedade em Rede, a comunicação da
informação requer competências que vão muito para além
da tradicional alfabetização, e a manipulação da
tecnologia é hoje indissociável da produção, uso e
difusão de mensagens e conteúdos, numa lógica de
partilha e colaboração entre cidadãos, profissionais e
especialistas das mais diversas áreas. Ao profissional
da Informação cabe um papel de mediador activo no
processo info-comunicacional, pelo que se impõe que
adquira competências de novo tipo no âmbito de um
modelo formativo também renovado e voltado para a
realidade da Era Digital.
Que tipo de literacia informacional é hoje
indispensável? Que competências devem adquirir os
profissionais da informação para poderem agir e
desempenhar eficazmente a sua função de gestores e
mediadores nos processos informacionais que ocorrem
nos mais diversos contextos, tanto institucionais,
como individuais e informais? Que desafios, impacto e
respostas vão sendo dadas pelos agentes e instâncias
mais díspares na conjuntura de rede da Era da
Informação em que estamos já plenamente imersos?
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©
APBAD 2009
Actualizada em
04-09-2010
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