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Comunicado do Conselho
Directivo Nacional da BAD

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Os principais organismos internacionais, incluindo a UNESCO e a
União Europeia, consideram as bibliotecas e os arquivos como
sectores determinantes no fomento do acesso livre e universal à
informação. Os serviços que prestam devem facultar ao conjunto da
população as ferramentas indispensáveis a uma cidadania informada,
activa e participada. Enquanto fontes privilegiadas de produção,
reelaboração e difusão de conhecimento científico e de políticas
públicas, estão na génese de processos de inovação em vários
domínios e contribuem para o desenvolvimento humano a todos os
níveis (cultural, político, social e económico).
Num contexto em que a economia global se baseia na informação e no
conhecimento, os profissionais da informação e da documentação têm
responsabilidades acrescidas e são chamados a reflectir sobre os
seus novos papéis sociais e o tipo de intervenção mais ajustado às
necessidades do presente e do futuro, seja na Administração Pública,
seja nas empresas, nas escolas ou nas ONG. O 9º Congresso Nacional
de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas pretende indicar e
questionar alguns dos caminhos possíveis, numa atitude pró-activa,
aberta e plural.
TEMÁTICA DO CONGRESSO
Enquadrada
neste contexto, a temática do Congresso corporiza-se na apresentação
de estudos, projectos de investigação e reflexões empreendidos a
nível nacional e internacional. Numa clara preocupação de
transversalidade face aos serviços e sistemas de informação,
estabelecem-se os seguintes temas:
Cidadania e Acesso à Informação
O exercício da cidadania pressupõe uma forma actuante de estar no
mundo, só podendo ser alcançada por pessoas preparadas e
qualificadas para o manuseamento crítico da informação. As
bibliotecas e os arquivos desempenham papéis cruciais na
disponibilização livre e equitativa de informação que permita ao
cidadão actuar consciente, cívica e criticamente nas dimensões
pessoais, sociais e profissionais da sua vida quotidiana. Para
este efeito, os serviços de documentação recorrem às
potencialidades das tecnologias da informação, que cada vez mais
lhes permitem ultrapassar a finitude do tempo e do espaço,
contribuindo para a realização da denominada utopia da informação,
enquanto “lugar futuro” de cidadãos informados e participativos.
Neste contexto, importa reflectir sobre as estratégias de luta
contra a info-exclusão, a “infoxicação”, o controlo dos cidadãos
pelo Estado ou tecnopolia e a mercantilização da informação.
Bibliotecas e Arquivos: Recursos para o Desenvolvimento e a
Inovação
Ao contrário do que é comum pensar-se, as bibliotecas e os
arquivos não são apenas recursos ao serviço do desenvolvimento
cultural, social e humano dos cidadãos. Detêm também um valor
económico, que não se limita às receitas e às despesas inscritas
nos respectivos orçamentos. A informação e a documentação
encontram-se entre as matérias-primas mais importantes para
potenciar a qualificação profissional, fundamentar a decisão
política, sustentar a produção e o avanço do conhecimento
científico. Na Administração Pública e nas empresas, o
estabelecimento de sistemas de gestão integrada de informação é um
factor de competitividade, pois significa ganhos de produtividade,
mediante a simplificação de procedimentos, a diminuição do tempo
de espera e o aumento da pertinência da resposta dada aos serviços
e aos cidadãos. É preciso equacionar e debater os dividendos
‘invisíveis’ (mas facilmente contabilizáveis) gerados pelas
bibliotecas e pelos arquivos.
Informação em Rede: Tecnologias, Serviços e Utilizadores
Gerir, tratar, representar e disponibilizar a informação em rede(s),
de âmbito local, interinstitucional ou internacional, tirando
partido das ferramentas e soluções tecnológicas, deverão
constituir-se como prioridades para os profissionais das
bibliotecas e dos arquivos. Em função das necessidades dos
utilizadores, da missão das instituições e das especificidades da
informação, é indispensável conceber sistemas informáticos e
modelos de partilha de dados que facilitem o acesso à distância às
colecções e aos fundos, a recuperação rápida e pertinente, a
actualização e a eliminação das redundâncias, a gestão integrada.
Abre-se um vasto campo de debate em torno de projectos de
interoperabilidade e de livre acesso a conteúdos digitais, tendo
em conta os seus benefícios e riscos.
Profissionais da Informação: Educação, Ética e Intervenção Social
As Bibliotecas e os Arquivos são serviços vitais no que
respeita à salvaguarda da democracia e à promoção da cidadania, no
apoio à aprendizagem ao longo da vida e ao desenvolvimento
económico e social e em matéria de defesa da diversidade cultural.
Nesta medida, são instituições chave de uma sociedade inclusiva e
de uma economia bem sucedida baseada no conhecimento.
Um dos principais factores para criar, manter e desenvolver
serviços e redes de biblioteca e de arquivo de inequívoca
utilidade social e económica reside na disponibilidade de recursos
humanos qualificados e comprometidos ética e socialmente.
Assim, a identificação das competências essenciais aos
profissionais da informação e o estudo da natureza, configuração e
conteúdo da respectiva educação assumem particular relevo,
principalmente num período de mudança social e tecnológica e de
globalização. Por outro lado, adquire igualmente relevo o debate
em torno do corpus ético da profissão, que está confrontada
com novos desafios de natureza política, legal e económica no que
diz respeito ao acesso à informação e à sua disponibilização. Por
último, no contexto de uma sociedade participada, ganha particular
acuidade a definição da natureza e do âmbito da intervenção social
e política dos profissionais, em defesa do direito à informação, e
a promoção da respectiva imagem, em defesa do papel singular e da
identidade profissional específica dos profissionais da
informação.
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